Lula diz que traficantes são vítimas — e depois culpa a gramática: “Frase mal colocada”
Lula diz que traficantes são vítimas — e depois culpa a gramática: “Frase mal colocada”
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Parece que a diplomacia internacional não é o único campo minado em Jacarta. Durante uma coletiva de imprensa na Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu filosofar sobre o tema das drogas — e acabou tropeçando nas próprias palavras.
Ao comentar o combate ao tráfico, Lula afirmou que “os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. A frase, digna de um enigma político, caiu como um presente de Natal antecipado para a oposição, que não perdeu tempo em fazer o que mais gosta: criticar.
Diante da repercussão negativa, o presidente voltou às redes sociais para esclarecer o “mal-entendido linguístico”. Segundo ele, foi apenas uma “frase mal colocada” — o tipo de erro que qualquer um pode cometer quando o fuso horário e a diplomacia se juntam para pregar peças.
“Meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado”, escreveu o petista, tentando pôr ordem na bagunça verbal.
Para provar que sua guerra contra o tráfico é mais do que um tropeço sintático, Lula citou ações do governo, como a Operação Carbono Oculto, que desarticulou um esquema bilionário do PCC, além da PEC da Segurança Pública e recordes na apreensão de drogas. Em outras palavras: se a fala foi infeliz, as operações, ao menos, não foram.
E como se o roteiro não pudesse ficar mais curioso, o episódio ocorre às vésperas do encontro entre Lula e Donald Trump, previsto para este domingo (26). O mesmo Trump que, em seu estilo sutil, defendeu matar traficantes “sem precisar declarar guerra”. Lula, agora em modo cauteloso, garante que “não há assunto proibido” entre os dois — embora, convenhamos, talvez seja melhor evitar falar de semântica.
No fim, fica a lição: entre “frases mal colocadas” e “ações bem executadas”, o governo tenta se equilibrar. E se a comunicação de Lula anda tropeçando, pelo menos o português dele continua rendendo manchetes — o que, no Brasil, já é quase uma política pública.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
