7 de março de 2026

Justiça do Rio autoriza envio de sete chefes do crime para presídios federais

Justiça do Rio autoriza envio de sete chefes do crime para presídios federais

Foto: Érica Martin/Agência O Dia

Foto: Érica Martin/Agência O Dia

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou, nesta terça-feira (4), a transferência de sete criminosos considerados líderes de facções e apontados pela Polícia Civil como responsáveis por ordenar atos de terror na capital fluminense. A decisão atendeu a um pedido do governador Cláudio Castro (PL), feito no dia da megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, que deixou 117 suspeitos e quatro policiais mortos.

Os detentos já estavam presos quando ocorreu a ação que mobilizou mais de 2,5 mil agentes contra o Comando Vermelho. O juiz Rafael Estrela Nóbrega, titular da Vara de Execuções Penais (VEP), autorizou o envio de sete dos dez nomes indicados pelo governo estadual para unidades federais de segurança máxima.

Entre os transferidos estão Arnaldo da Silva Dias (Naldinho), Carlos Vinicius Lírio da Silva (Cabeça do Sabão), Eliezer Miranda Joaquim (Criam), Fabrício de Melo Jesus (Bicinho), Marco Antônio Pereira Firmino da Silva (My Thor), Alexander de Jesus Carlos (Choque) e Roberto de Souza Brito (Irmão Metralha).

Em sua decisão, o magistrado destacou o perigo que esses criminosos ainda representam à sociedade, mesmo atrás das grades:

“É dever deste juízo preservar o interesse coletivo sobre o individual, especialmente diante do risco real de reincidência e coordenação de práticas criminosas a partir do cárcere. A inclusão em estabelecimento federal de segurança máxima visa interromper a comunicação ilícita entre o preso e sua organização criminosa, garantindo a segregação qualificada e restabelecendo a efetividade da pena”, afirmou o juiz.

As penas dos sete detentos variam entre 35 e 100 anos de reclusão. Até que a transferência seja efetivada — ainda sem prazo definido —, eles permanecerão em presídios de segurança máxima do Estado.

Outros dois nomes da lista, Wagner Teixeira Carlos e Leonardo Farinazzo Pampuri (Léo Barrão), ainda dependem de informações adicionais da Polícia Civil para que a Justiça decida sobre o encaminhamento. O prazo para o envio desses dados é de cinco dias.

Já o caso do cabo da Marinha Riam Maurício Tavares Mota, acusado de operar drones para o Comando Vermelho, segue sob análise do Juízo da Organização Criminosa (Orcrim), que ainda não proferiu decisão sobre eventual transferência.

A medida integra a ofensiva do governo estadual para enfraquecer o poder das facções criminosas no Rio. Dois dias após a megaoperação, o governador Cláudio Castro se reuniu com chefes de Executivos estaduais para discutir ações conjuntas de combate ao crime organizado e reforçar a cooperação entre os estados na luta contra o tráfico e a violência.

Foto: Érica Martin/Agência O Dia