7 de março de 2026

Acusada de quatro homicídios, Ana Paula confessou manter corpo de vítima em casa por cinco dias

Acusada de quatro homicídios, Ana Paula confessou manter corpo de vítima em casa por cinco dias

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Chamada de “serial killer” pela Polícia Civil de São Paulo, a estudante de Direito Ana Paula Veloso confessou ter matado Marcelo Hari Fonseca, seu senhorio, na noite de 26 de janeiro deste ano. Segundo seu depoimento, ela escondeu o corpo dentro de casa por cinco dias antes de chamar a polícia — e só o fez após seu filho reclamar do mau cheiro e notar larvas na residência.

Ana Paula contou à polícia que esfaqueou Marcelo após uma discussão, motivada por supostas ameaças que ele teria feito à sua família. Ela relatou ter atingido o homem com uma facada na axila, escondido a faca em seguida e coberto a entrada da sala com um lençol para que o filho e a sobrinha não vissem o corpo. No entanto, exames periciais não identificaram sinais de violência externa — o que, segundo a investigação, indica que a morte pode ter sido causada por envenenamento, prática usada em outros três homicídios atribuídos à estudante.

Motivação e ocultação do corpo

De acordo com o relato de Ana Paula, ela e a irmã haviam pago R$ 2 mil para morar com seus filhos e alguns cães nos fundos da casa de Marcelo. Ela afirma que o proprietário tentou invadir o espaço reservado à família e chegou a ameaçar seu filho, o que teria motivado o crime.

— Ele sentou no sofá, começou a falar um monte de coisa. Aí eu dei uma facada debaixo da axila direita — relatou Ana Paula.

Ela disse ter escondido a arma do crime em um bueiro e só comunicou à família sobre a morte quando o odor do corpo se tornou insuportável.

— Meu filho falou: “Mãe, está fedendo demais”. Vi os bichos atravessando a parede — contou.

Ligação para a PM e comportamento suspeito

Ana Paula acionou a polícia apenas no dia 31 de janeiro, cinco dias após o crime. Câmeras corporais da Polícia Militar registraram o momento em que ela se apresenta como inquilina e afirma não ter notícias do “vizinho” há dias. Quando informada pela PM de que Marcelo estava morto, chegou a esboçar um sorriso, demonstrando surpresa em seguida.

Marcelo foi encontrado no sofá da própria casa, já em avançado estado de decomposição. O forte odor era perceptível até da calçada, e os policiais precisaram utilizar lanternas e máscaras cirúrgicas para entrar no local. As imagens mostram grande quantidade de moscas no ambiente.

Durante a abordagem, Ana Paula também deu informações desencontradas à polícia. Disse que o nome do proprietário era “Alan”, mas depois mencionou que teria ouvido de outra pessoa que ele se chamava “Marcos”. Alegou não ter contrato de aluguel e que o pagamento era feito por PIX.

Destruição de provas

Nos dias seguintes, Ana Paula foi filmada ateando fogo ao sofá onde Marcelo foi encontrado morto, sob a justificativa de “limpar a sala” e eliminar o mau cheiro. A Polícia acredita que ela tentou destruir provas do crime.

A universitária também teria impedido familiares da vítima de entrar na casa após o crime, alegando ser inquilina, mesmo sem apresentar qualquer comprovação de pagamento. De acordo com parentes de Marcelo, Ana Paula chegou a ameaçá-los, dizendo-se integrante de uma facção criminosa do Rio de Janeiro.

Filha da vítima conseguiu reabrir o caso

Inicialmente, o inquérito foi arquivado por falta de provas e pelas dificuldades de análise causadas pelo estado do corpo. No entanto, a filha de Marcelo procurou a Justiça e conseguiu a reabertura do caso, com o apoio do advogado Fabio Gerdulo, que apresentou novas evidências contra Ana Paula.

A reabertura levou à confissão da universitária, que agora responde por quatro homicídios — todos, segundo a polícia, cometidos por envenenamento. O caso segue em investigação.