Justiça Federal mantém prisão de TH Joias e mais 13 acusados ligados ao Comando Vermelho
Justiça Federal mantém prisão de TH Joias e mais 13 acusados ligados ao Comando Vermelho
Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
O cerco se fechou de vez. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que abrange Rio de Janeiro e Espírito Santo, decidiu por unanimidade, nesta segunda-feira (8), manter a prisão de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, e de outros 13 investigados na Operação Zargun — ação conjunta da Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério Público do Rio de Janeiro.
Entre os detidos estão nomes de peso: Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (o Dudu), ex-assessor de TH; o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão; o ex-secretário estadual de Esportes e advogado Alessandro Carracena; além do delegado federal Gustavo Stteel e cinco policiais militares.
Prisão confirmada
No último dia 4, a Justiça do Rio já havia validado a prisão preventiva de TH Joias, feita em 3 de setembro na Barra da Tijuca, Zona Oeste. Ele é investigado por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, o parlamentar teria usado o mandato para atuar como elo direto do Comando Vermelho, intermediando compra e venda de drogas, fuzis e até equipamentos antidrones para comunidades dominadas pela facção.
Milhões em espécie para o CV
A Polícia Federal revelou que TH recolheu R$ 9 milhões em dinheiro vivo no Complexo do Alemão, convertendo o valor em dólares para lavar recursos da facção. Já a Polícia Civil identificou movimentações financeiras suspeitas em empresas ligadas ao deputado, com alertas sucessivos de bancos sobre lavagem de dinheiro.
O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, não poupou palavras:
“Estamos diante da infiltração direta do crime organizado no Parlamento fluminense. O deputado eleito para representar a sociedade colocou seu mandato a serviço da maior facção criminosa do Rio de Janeiro. Seja traficante armado na favela ou de terno na Assembleia, a resposta do Estado será a mesma.”
Queda política imediata
Poucas horas após a prisão, TH perdeu o assento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Isso aconteceu após o governador Cláudio Castro (PL) exonerar Rafael Picciani (MDB) do cargo de secretário estadual de Esporte e Lazer, permitindo seu retorno à Alerj e ocupando automaticamente a vaga de TH.
Com a medida, o deputado deixou de ter foro privilegiado e imunidade parlamentar, passando a responder à Justiça como qualquer cidadão comum. O processo segue em tramitação normal no TJRJ.
Em nota, o governador destacou que o retorno de Picciani já estava previsto, mas foi antecipado diante da gravidade do caso.
Fonte: odia.ig.com.br

Foto: Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
